Dificuldade para respirar

Diana permaneceu internada na enfermaria do Hospital da Mãe para se recuperar, mas começou a sentir enjoo e dificuldade para respirar. No dia seguinte ao parto, foi transferida para o Hospital da Mulher, em São João de Meriti, mas não resistiu.

Segundo o advogado Carlos Borges, que representa a família, “há um indício mínimo de pelo menos negligência e imperícia para toda família”.
Em nota, o Hospital Estadual da Mãe disse que abriu uma sindicância imediatamente após a morte para apurar o que aconteceu, e que o procedimento ainda não foi concluído. A direção da unidade lamenta as mortes e se solidariza com a família.

O Hospital Estadual da Mulher disse que a paciente chegou à unidade com complicações pós-parto sem sinal de sepse, mas que um dia depois apresentou falta de ar e, mesmo com todos os cuidados, não resistiu. Já a Secretaria Estadual de Saúde disse que acompanha a sindicância aberta pelo Hospital da Mãe.

Violência obstétrica

O caso de Taís não é isolado, e faz parte do chamado violência obstétrica. De acordo com a pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero e espaços público e privado” (2010), realizada pela Fundação Perseu Abramo (FPA) e o Serviço Social do Comércio (Sesc), uma em cada quatro brasileirasjá foisubmetida a maus-tratosfísicos, psicológicos ou ambos. Já no governo Jair Bolsonaro (PL), o Ministério da Saúde (MS), sob a gestão do ortopedista Luiz Henrique Mandetta (2019-2020), sugeriu a extinção do termo em maio de 2019, por considerá-lo “inadequado”.

Imediatamente, veio o posicionamento do Conselho Nacional de Saúde (CNS), durante a 317ª Reunião Ordinária do órgão. Segundo o órgão federal independente, “o alto índice de cesarianas configura violência obstétrica, as cesarianas desnecessárias expõem a mulher a três vezes mais o risco de morte por parto”.

“O documento aponta ainda que muitas mulheres são submetidas ao uso do soro de ocitocina (36,5%) para acelerar o trabalho de parto, em desacordo com as Boas Práticas de Atenção ao Parto e ao Nascimento”, dizia o texto, disponível no site do CNS, numa referência ao que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula desde 1996.