A moeda que mudou Maricá: conheça a história da Mumbuca, lançada há 13 anos
Criada em 2013 para combater a desigualdade, a primeira moeda social do país movimenta o comércio de Maricá e serve de modelo para o mundo
Em 26 de junho de 2013, o município de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, dava um passo histórico no combate à pobreza com a criação da Mumbuca, a primeira moeda social eletrônica do Brasil.
Criada através da Lei nº 2.448, a iniciativa unificou os programas de transferência de renda municipais e instituiu o Banco Mumbuca. Com paridade de um para um com o Real (1 mumbuca = R$ 1), o projeto de economia circular garante dignidade a milhares de famílias em situação de vulnerabilidade e injeta recursos diretamente no comércio local, já que a moeda circula exclusivamente no município.
O peso da história e o nome do Rio
A escolha do nome “Mumbuca” carrega um forte simbolismo de sobrevivência. O batismo é uma homenagem ao principal rio que corta a região central da cidade. Nas redes sociais, o atual prefeito Washington Quaquá relembrou a própria infância e a inspiração para o projeto.
“Eu passei fome em Maricá e sei que esse dinheiro faz muita diferença para quem precisa. Quando vim morar aqui, ainda criança, muitas vezes pescava no rio para ter o que comer”, recordou Quaquá. “Batizamos a moeda por causa do Rio Mumbuca, onde a gente pegava acará e rã para sobreviver. São anos fazendo história e sendo exemplo para o mundo.”
A ideia original da prefeitura era emitir notas de papel que trariam as ilustrações do cará e da tainha, peixes típicos da região. No entanto, o projeto modernizou-se antes do lançamento, adotando cartões magnéticos e, posteriormente, uma plataforma digital.
Como funciona o benefício
Para ter direito à moeda social, o cidadão deve cumprir critérios rigorosos: estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal, residir em Maricá há pelo menos três anos e comprovar renda familiar de até três salários mínimos.
Os pagamentos são administrados de forma independente pelo Banco Mumbuca, uma instituição comunitária com CNPJ próprio. Os beneficiários utilizam um cartão de débito ou o aplicativo oficial para realizar as compras. Durante a pandemia da Covid-19, o amparo foi ampliado para 300 mumbucas por pessoa e, a partir de 2022 (Lei Municipal nº 3.153), o valor fixou-se em 200 mumbucas por integrante familiar.
Para garantir que a engrenagem econômica e social não pare no futuro, o município já se planejou: a manutenção das políticas públicas de transferência de renda será garantida pelos rendimentos da poupança do Fundo Soberano de Maricá.





















