Câmara enquadra Águas do Rio por desabastecimento crônico em
População de dezenas de bairros sofre com a falta d’água e cobra respostas em audiência pública presidida pelo vereador Aquino em abril
A grave escassez de água que afeta milhares de moradores em diversos bairros de São João de Meriti mobilizou o poder público e a sociedade civil em busca de explicações. Com o objetivo de discutir a crise e alinhar soluções imediatas, a Câmara Municipal sediou, no último dia 10 de abril, a 1ª audiência pública com representantes da concessionária Águas do Rio.
O encontro, presidido pelo vereador Marcos Henrique Matos de Aquino, o Aquino (Republicanos), jogou luz sobre as falhas no abastecimento que castigam o município e cobrou um cronograma urgente de investimentos para a região.
Para o parlamentar que liderou os debates, a situação do município ultrapassou o limite do tolerável. Em um cenário globalizado e tecnológico, Aquino classificou como “inadmissível” que, em pleno ano de 2026, a população da Baixada Fluminense ainda precise lidar diariamente com a ausência de um direito constitucional básico: o acesso à água potável.
Falta de regularidade
A falta de regularidade no abastecimento afeta a rotina doméstica, o comércio local e a dignidade humana. O objetivo central do encontro legislativo foi romper a barreira do silêncio institucional e colocar a concessionária frente a frente com as demandas da comunidade.
“O intuito dessa audiência foi dar voz à população e buscar soluções mais ágeis. Vou seguir cobrando, fiscalizando e exigindo respostas”, enfatizou o parlamentar, reafirmando seu compromisso com o mandato. “Fui eleito para isso. Esse é o meu papel. A minha obrigação é com cada cidadão meritiense. E sigo firme nessa missão, porque o povo meritiense merece respeito”, completou.
Sem interesse político-partidário
Durante os questionamentos aos representantes da Águas do Rio, o vereador Aquino fez questão de afastar qualquer rastro de interesse político-partidário do debate. Confrontado sobre os rumos políticos da cidade, o parlamentar subiu o tom para destacar que a urgência da fome e da sede não pode esperar o calendário das urnas.
Aquino afirmou categoricamente não estar preocupado com votos ou com o processo de reeleição, ressaltando que sequer sabe se será candidato no pleito municipal de 2028. Para ele, o foco absoluto do poder público deve estar no ano corrente e na resolução do desabastecimento.
“Só penso em 2026. Só penso na água. O povo já sofre todos os dias com transporte lotado para ir trabalhar e voltar para casa. Meriti é considerada uma cidade-dormitório, onde a maioria das pessoas trabalha no Rio de Janeiro, nas zonas Sul e Oeste, e precisa da água ao retornar. Não faço política em cima da desgraça de ninguém. E nunca farei. Eu quero é solução para a região”, desabafou.
Gargalos no atendimento e a “ponta” do serviço público
Um dos pontos mais criticados durante a audiência pública foi a dificuldade de comunicação entre a concessionária, os cidadãos e os legítimos representantes do município. Aquino apontou uma falha estrutural na gestão da Águas do Rio: a ausência de um canal direto e resolutivo com os vereadores.
De acordo com o parlamentar, o fechamento desses canais institucionais prejudica quem mais precisa. O vereador pontuou que o Legislativo municipal é quem “representa a ponta”, ou seja, é o primeiro a ouvir os relatos de sofrimento e as reclamações diárias dos moradores.
Muitas vezes, a população tenta os meios tradicionais de atendimento, mas esbarra na burocracia dos call centers. “Muitas vezes, a pessoa liga para o 0800 e não consegue falar. Ou abre protocolo, mas nunca o problema é resolvido. No entanto, ela sabe que quando o vereador fizer o pedido, será ouvido”, explicou Aquino, defendendo um elo mais estreito e ágil entre a empresa e a Câmara.
Ao longo do debate, foram mapeadas as áreas onde o desabastecimento assumiu contornos crônicos. O Morro do Castelinho, localizado no bairro Éden, foi citado como um dos pontos mais críticos, onde as torneiras secas já fazem parte da rotina há meses.
Equipamento não atende demanda
Outro caso emblemático apresentado foi o da localidade de Vila Ruth. Embora a concessionária tenha instalado um sistema de bombeamento na região para mitigar o problema, os moradores continuam sofrendo. “Parece que o equipamento não atende a demanda da comunidade”, alertou o vereador.
Para além dos problemas de infraestrutura de engenharia, a audiência expôs o que parece ser um grave deficit de pessoal nas ruas de São João de Meriti. O baixo contingente de operários da concessionária tem atrasado os reparos e as manutenções preventivas.
“Hoje, acho que tem uma ou duas equipes para atender São João de Meriti toda. Se a Águas do Rio puder reforçar o time operacional da rua, é de extrema importância”, finalizou Aquino, colocando o gabinete e a comissão da Câmara à disposição para fiscalizar o cumprimento das metas acordadas na audiência. A concessionária terá prazos legais para responder aos requerimentos técnicos formulados pela Casa.





















