Por Márcio Marcelo
À medida que o país se aproxima das eleições gerais de 2026, o cenário político-eleitoral se desenha marcado por três eixos centrais: a consolidação dos 30 anos de uso da urna eletrônica, o debate sobre a possível, ainda que improvável, implementação do novo Código Eleitoral já para este pleito, e os desafios emergentes relacionados à tecnologia, à desinformação e à confiança pública no processo democrático.
Três décadas de urna eletrônica: uma Inovação que Mudou o País
Introduzida nacionalmente nas eleições de 1996, a urna eletrônica completa 30 anos como símbolo da modernização eleitoral brasileira.
Destaque internacional, o sistema eletrônico de votação consolidou-se como uma das ferramentas mais eficientes e seguras do processo democrático, reduzindo drasticamente o tempo de apuração, diminuindo disputas sobre nulidades manuais e ampliando a acessibilidade para públicos específicos, como pessoas com deficiência visual.
Ao longo destas três décadas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprimorou sucessivamente o hardware, o software e os mecanismos de auditoria, incluindo testes públicos de segurança, lacração e assinatura digital dos sistemas, além da impressão do Boletim de Urna (BU) — uma garantia de transparência amplamente utilizada por partidos e entidades fiscalizadoras.
Debate sobre o Novo Código Eleitoral: entre o ideal e o tempo hábil
Apesar dos debates no Congresso terem avançado nos últimos anos, a consolidação de um novo Código Eleitoral — que unificaria as normas em vigor e atualizaria dispositivos defasados — parece distante de se aplicar às eleições de 2026. Mesmo que houvesse vontade política, o princípio da anualidade eleitoral previsto no art. 16 da Constituição Federal impediria a aplicação de mudanças substanciais no processo eleitoral a menos de um ano do pleito.
Assim, ajustes estruturais, como novas regras de propaganda, financiamento, federações partidárias ou mudanças em sistemas de apuração, não teriam tempo suficiente para serem implementados sem confrontar a segurança jurídica necessária ao processo eleitoral.
Desafios emergentes: tecnologia, desinformação e confiança pública
Se por um lado o sistema eletrônico brasileiro é reconhecido pela estabilidade, por outro enfrenta desafios cada vez mais complexos:
Desinformação e ataques à credibilidade institucional, que seguem como ameaça permanente e exigem investimento contínuo em comunicação, transparência e parceria com plataformas digitais.
Cibersegurança, com o TSE ampliando protocolos e diversificando testes para garantir resiliência diante de ataques cada vez mais sofisticados.
Ampliação da participação política, sobretudo frente à crescente abstenção e à dificuldade de engajar jovens na vida pública.
Integração tecnológica, incluindo novas soluções para acessibilidade, biometria e auditoria, mantendo o equilíbrio entre inovação e segurança.
O que esperar de 2026
Com a manutenção das regras vigentes e a celebração de 30 anos da urna eletrônica, as eleições de 2026 devem reafirmar a robustez institucional do processo eleitoral brasileiro. O TSE segue pautado pela estabilidade normativa, pela evolução tecnológica gradual e pela necessidade de fortalecer a confiança pública diante de um ambiente digital cada vez mais complexo.
O pleito de 2026 será, portanto, mais que uma disputa política: será um marco simbólico de três décadas de tecnologia a serviço da democracia — e um teste crucial para medir a capacidade do país de enfrentar os desafios contemporâneos sem abrir mão da segurança, da transparência e da legitimidade do voto.





















