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Greve nos Correios trava reestruturação

Trabalhadores criticam cortes na empresa pública enquanto estatal recorre a empréstimo de R$ 7 bilhões

A greve nos Correios gira em torno do plano de corte de custos proposto pela direção da estatal. Para o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do DF (Sintect-DF), as medidas põem em risco a prestação de um serviço essencial.
“O Correio é o único braço do Estado para emissão de documentos, livros didáticos, Enem e medicamentos”, alerta Amanda Corcino, presidenta do Sintect-DF.

Em entrevista ao Brasil de Fato DF, ela explicou que a paralisação combate o plano de reestruturação e defende os direitos do acordo coletivo.
A dirigente afirma que o plano prevê o fechamento de agências, PDV e corte de vagas, piorando o déficit de funcionários que já afeta as entregas.

“O último concurso foi em 2011. Saíram milhares de trabalhadores enquanto o e-commerce cresce. Queremos salvar a empresa e nossos direitos”, disse Amanda.

Encolhimento do quadro

Para a líder sindical, o encolhimento do quadro ocorre justamente no momento de alta da demanda por encomendas no comércio eletrônico. A categoria aponta que o descompasso sobrecarrega os trabalhadores e prejudica o atendimento ao público.
O movimento ocorre em meio a uma grave crise financeira da estatal, que pediu garantia do Tesouro para pegar R$ 7 bilhões com bancos privados. A operação apoia o plano de reestruturação da empresa.
Em nota, os Correios disseram que a primeira fase focou em liquidez, enquanto a segunda prevê corte de gastos, PDV e venda de imóveis. A terceira etapa visa diversificar receitas com novas parcerias.

Mudança no plano de saúde

O ponto mais crítico da disputa é a intenção da empresa de deixar de ser a mantenedora do plano de saúde corporativo.
“O plano de saúde é a questão central. A empresa quer tirar o corpo fora. Hoje pagamos mensalidade e coparticipação de R$ 1 mil, um terço do salário. Sem a empresa como mantenedora, não conseguiremos pagar”, destacou.
A estatal garante que mantém a assistência à saúde na proposta do acordo coletivo, mas admite que haverá mudança na gestão.

Corcino lembra que o benefício é crucial para conter o alto índice de doenças ocupacionais na categoria, com foco nos carteiros.
“Carregamos bolsas pesadas sob o sol e fazemos movimentos repetitivos na triagem. O plano é vital para o trabalhador”, pontuou.

Além do plano, o sindicato acusa a direção de cortar direitos históricos, como o abono de fim de ano.
Os Correios alegam que a proposta de ACT mantinha 78 de 80 cláusulas com ganho real. A disputa foi para o TST via dissídio em 11 de setembro. O TST definirá os pontos sem conciliação.

Impacto direto no atendimento postal

O sindicato adverte que a reorganização afeta a população de cidades pequenas e regiões distantes dos grandes centros urbanos.

A entidade enfatiza que o papel da estatal vai além dos pacotes, atuando como elo cidadão.
“O encolhimento descumpre a universalização postal garantida pela Constituição. No interior, as pessoas terão que andar mais de 100 km por serviços básicos”, alertou Amanda.
O conceito da universalização postal obriga a estatal a cobrir todo o território nacional de forma igualitária. A regra volta ao centro do debate com as mudanças.

A estatal conta com unidades em 5.553 municípios brasileiros hoje. Essa presença massiva explica a tensão em torno de eventuais fechamentos de agências pelo país.
A empresa rebate que o ajuste segue critérios técnicos de sobreposição de unidades e mantém metas de universalização. O formato Correios Essencial compensaria o fechamento de prédios.