Por dentro da prisão mais temida do planeta
Com luzes que nunca se apagam, celas sem colchões e isolamento total, o CECOT é a fortaleza erguida por Bukele para sepultar as gangues de El Salvador. “Daqui você não sai”, avisa a direção
O endereço é Tecoluca, uma região isolada no centro de El Salvador, mas o complexo de 236 mil metros quadrados bem que poderia se chamar fim da linha.
O Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT) é hoje o maior símbolo da política de “mão de ferro” do presidente Nayib Bukele contra as gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18. Projetada para abrigar até 40 mil detentos, a megaprisão de segurança máxima funciona como uma máquina de triturar o crime organizado, sob aplausos de uma população antes refém da violência e sob severos protestos de organizações internacionais de direitos humanos.
Cruzar os portões do CECOT significa perder o contato definitivo com o mundo exterior. A rotina dos detentos, todos com cabeças raspadas e vestindo apenas bermudas brancas, é marcada pelo vazio absoluto. Nas celas coletivas, que chegam a abrigar mais de 100 homens, não existem beliches ou colchões; os presos dormem em placas de metal sobrepostas.
As luzes das galerias ficam acesas 24 horas por dia, distorcendo a noção de tempo, e as refeições consistem apenas em porções básicas de arroz, feijão e tortilhas de milho, comer carne é um privilégio inexistente.
Sem visitas e sem ver o sol
Diferente de qualquer penitenciária convencional, no CECOT os presos não têm direito a visitas de familiares, chamadas telefônicas ou pátio de sol tradicional. O confinamento é quase total. Eles passam a maior parte do dia trancados e, quando saem para raras atividades físicas, as sessões ocorrem em salas fechadas, sem qualquer vislumbre do céu.
O complexo é vigiado dia e noite por mais de 600 soldados do exército e 250 policiais armados com fuzis. Qualquer movimentação suspeita resulta em intervenção imediata da tropa de choque. Entrar ali é assinar um termo de esquecimento.
A palavra do diretor: “Bem-vindo ao inferno”
A rigidez do confinamento não é apenas física, mas psicológica, desenhada para quebrar a moral dos líderes das facções. De acordo com investigações de órgãos de direitos humanos e relatórios internacionais, a recepção dada pelo diretor do presídio, Belarmino García, deixa claro o destino dos que ali entram:
“Vocês acabam de chegar ao inferno. Vou garantir que vocês nunca mais vejam a luz do dia ou da noite, e que nunca saiam daqui.”
Para os críticos, a frase resume os abusos cometidos sob o estado de exceção do país. Para o governo e os defensores da medida, é a resposta à altura para criminosos que, por décadas, ditaram as regras da vida e da morte nas ruas de El Salvador. No CECOT, o silêncio e o concreto agora dão as ordens.





















